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Virgem da Penha, minha alegria, Senhora nossa, Ave Maria!

A Festa da Penha está completando 446 anos e começou de maneira muito simples em 1571. As festividades que se restringiam ao interior do convento tiveram início dois anos após a chegada da primeira imagem de Nossa Senhora, vinda de Portugal por encomenda de Frei Pedro Palácios, fundador do Convento. Porém, esse evento tomou proporções maiores a partir da chegada de Dom João Batista da Motta e Albuquerque em 1957 como primeiro Arcebispo da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo. Sua posse marcava o IV centenário do Convento da Penha.  Ele mesmo, devoto de Maria, percebendo a devoção do povo, transformou a festa num importante evento de religiosidade e fé. A Festa da Penha se estende por dez dias logo após do Domingo de Páscoa. 

♫ Deste teu trono, tu irradias, paz e esperança, Ave Maria!

Então Dom João Batista, em 1958, criou a “Romaria dos Homens” saindo da Catedral na Ilha de Vitória e chegando até o Campinho, no alto do penhasco. Essa romaria se tornou famosa e, depois dela, outras foram criadas: a dos militares, dos ciclistas, dos motociclistas, dos deficientes físicos, entre outras. A última foi a Romaria das Mulheres que teve seu início em 1971 para comemorar os 400 anos da instituição da festa da Penha.

“O Convento de Nossa Senhora da Penha é a alma da religiosidade popular no Espírito Santo. Seu imponente projeto arquitetônico harmoniza-se de maneira impressionante com a beleza natural que o circunda e sustenta. Por isso, tornou-se, de maneira muito justa, um centro de espiritualidade, de misticismo e de identidade cultural. Sua beleza e originalidade ímpares, desde o tempo de seu fundador, o venerando Frei Pedro Palácios, e do Beato José de Anchieta, tornou-se um «refrigério de devoção» para os fiéis, sinal hierofânico, onde Deus se «manifesta» e se «comunica» com seu povo pelo canal da espiritualidade.”

♫ A dor que oprime tu alivias; dá-me saúde, Ave Maria!

“Dessa forma, «a arquitetura sacra, igreja-edifício, indica o lugar privilegiado no qual a Igreja-povo se reúne, se recolhe ou se concentra para acolher a manifestação de Deus e, ao mesmo tempo, manifestar em gestos e sinais o louvor e o agradecimento ao mesmo Deus».

Podemos constatar que, nesse Convento, existe uma união substancial entre espiritualidade e arquitetura, o que, sem dúvida, deu origem à grande religiosidade popular que, ainda hoje, se expressa na cultura religiosa desdobrada ali através das numerosas romarias, celebrações litúrgicas e grande afluxo de devotos que por ali passam deixando atrás de si seus «ex-votos», sinal de seu amor e de sua fé.”

♫ Amar-te quero todos os dias, minha doçura, Ave Maria!

“Outra motivação para este estudo é a grande importância religiosa, artística e cultural que o Convento da Penha representa para o nosso Estado. Entretanto, o Convento foi estudado sempre na perspectiva histórico-narrativa; pouquíssimos foram os esforços feitos na linha teológico-interpretativa, o que nos portou a uma grande dificuldade no desdobramento do argumento, pois, infelizmente, não existe material bibliográfico neste sentido.

 

O povo do Estado do Espírito Santo construiu, desde os tempos dos Donatários e Capitanias até os nossos dias, uma belíssima história de fé, arte, glória e heroísmo, mas também, de pobreza, lutas, exploração, preconceito, discriminação racial e desrespeito à dignidade da pessoa humana, fruto de uma sociedade escravocrata e exclusivista que encontra seu eco, ainda hoje, nos vales do Rio Doce e nos verdes de suas remanescentes matas tropicais.”

♫ Nossas Famílias protege e guia; és meu amparo, Ave Maria!

O Convento da Penha teve seu início nos anos 1800 e está localizado na cidade de Vila Velha, sobre um penhasco de 154 metros de altura e a 500 metros do mar, entrada da baía de Vitória. Esse Convento/Santuário ocupa uma área de 632.226 m². Essa faixa de Mata Atlântica é o mais importante pulmão verde da cidade de Vila Velha e abriga uma variada flora e fauna.

“História marcada pela reverência e penitência, pela grandeza de uma gente, perseverança de um povo lutador, dedicação e idealismo do trabalho, mistura de tantas culturas, esforço de inculturação testemunhada, principalmente, pelas mãos de índios, missionários, escravos, portugueses, descendentes europeus e de outros que ajudaram, com determinação, religiosidade e fé, a construir uma história de pedra e cal, como o Convento/Santuário de Nossa Senhora da Penha.

A Festa da Penha, tipicamente capixaba desde o seu início, tem uma considerável presença de romeiros de outros estados da federação brasileira. A maioria dos entrevistados que frequenta a Penha, ou seja, 77%, são nascidos no Espírito Santo; 13% nasceram em Minas Gerais; 3% na Bahia, 2% no Rio de janeiro (estes três estados da federação brasileira fazem divisa com o Espírito Santo).”

♫ Virgem da Penha, tão doce e pia, és padroeira, Ave Maria!

Aqui encontramos uma festa que podemos chamar de expressão cultural capixaba. A Festa da Penha é sem sombra de dúvida a maior expressão cultural religiosa do Estado do Espírito Santo, criando uma verdadeira identidade cultural, fruto da encarnação do evangelho e inculturação da fé católica nestes quase 500 anos de história.

♫ Contigo espero estar um dia, na eternidade, Ave Maria!

Pe. Ernandes Samuel Fantin montou este artigo com a preciosa colaboração do Pe. Edemar Endringer que lhe permitiu selecionar trechos de sua tese: “A Importância Social do Convento da Penha” e ainda com versos do hino à Virgem da Penha.

Hino à Nossa Senhora da Penha

Letra: Frei Alfredo Setaro – Música do Pe. João Lírio Tagliarico
1. Virgem da Penha, minha alegria, Senhora nossa, Ave Maria!
Refrão: Ave, Ave, Ave Maria!
2. Deste teu trono tu irradias, paz e esperança, Ave Maria!
3. És meu refúgio, seguro guia, nas tentações, Ave Maria!
4. A dor que oprime tu alivias; dá-me saúde, Ave Maria!
5. Amar-te quero todos os dias, minha doçura, Ave Maria!
6. Mais sacerdotes. Oh! Mãe envia! Sábios e santos, Ave Maria!
7. Nossas famílias protege e guia; és meu amparo, Ave Maria!
8. Virgem da Penha, tão doce e pia, és padroeira, Ave Maria!
9. Contigo espero estar um dia, na eternidade, Ave Maria!